"Visões Múltiplas de um Mundo Múltiplo"

quinta-feira, 11 de março de 2010

Revistas Femininas - Não estamos lá

Mulheres maduras, bem vestidas, com ares sensatos e equilibrados... Assim é a resvita Cláudia em relação às mulheres, disse Ana Vargas em sua reportagem no site Observatório da Imprensa.
As mulheres da Cláudia são tão lindas que tanta perfeição assusta. Por traz daquela imagem, devem existir mulheres descabeladas por dores,
filhos drogados ou empregos horríveis, mas serão sempre belas e estarão sempre de salto alto.
Já a Marie Claire consegue desarrumar um pouco o cabelo de suas mulheres; elas parecem, sei lá, mais reais. Nela, a Sandra Bullock, na capa deste mês, sorri e seus cabelos parecem levemente bagunçados, ao natural. É como se ela tivesse sido clicada em uma tarde preguiçosa. Sem saltos altos ou reuniões chatas logo de manhã.
Pois é, e assim, entre estereótipos imaginários ou fabricados por talentosos designers – o trabalho deles é muito bom, deve ser parabenizado e isso não é uma ironia – muitas caras e corpos de mulheres ficaram pairando em um imenso oceano de imagens. E no horizonte desse mar, há toda uma indústria de moda e beleza que deixa as mulheres de Claudia, Marie Claire e várias outras realmente deslumbrantes. Inatingíveis
E diante disso segue a dúvida: Será que um dia seremos amadas pelo que somos de verdade, realmente, com a maquiagem borrada (porque não conseguimos segurar o choro quando fomos despedidas), com os quilos a mais aparecendo sob a roupa barata, comprada em liquidação. Será que temos o direito de ser o que somos?
Somos caleidoscópicas, interessantes, criativas, doces e amargas, mas só nos querem se cabemos em um manequim 38.
Mas um lado bom de tudo isso, é que nos resta pensar que folhas com imagens impressas diante de uma mulher de verdade, não são absolutamente nada mais além de imagens.

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